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CRONOLOGIA DE ALBERTO SANTOS DUMONT




1873 – Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no local que viria a ser o município de Palmira (hoje rebatizado em honra a ele), em Minas Gerais. Filho de Henrique Dumont, de ascendência francesa e engenheiro de obras públicas, e de Francisca Santos Dumont, filha de uma tradicional família portuguesa.


1874-1879 - Vai morar com a família em Casal, fazenda de café do avô materno, que o pai administra, e que fica perto de Valença, estado do Rio de Janeiro, onde nasceram suas irmas Sophia e Francisca.


1877 – No dia 20 de fevereiro, Alberto Santos Dumont, foi batizado, na Paróquia de Santa Tereza, na cidade de Valença, distrito de Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro; foram padrinhos o seu tio materno José Augusto de Paula Santos e Dna. Maria Eugênia Pinto Coelho da Rocha.


1879 - Muda com os pais para a Fazenda Arindeúva, na regiăo de Ribeirăo Preto, no Estado de São Paulo.


“Vivi ali uma vida livre, indispensável para formar o temperamento e o gosto pela aventura. Desde a infância eu tinha uma grande queda por coisas mecânicas e, como todos os que possuem ou pensam possuir uma vocação, eu cultivava a minha com cuidado e paixão. Eu sempre brincava de imaginar e construir pequenos engenhos mecânicos, que me distraíam e me valiam grande consideração na família. Minha maior alegria era me ocupar das instalações mecânicas de meu pai. Esse era o meu departamento, o que me deixava muito orgulhoso.” - Santos- Dumont


1883-1887 - A educação de Santos Dumont. Até os dez anos de idade não teve ensino formal, tendo sido alfabetizado por sua irmã Virgínia, sete anos mais velha. Dos dez aos doze anos freqüentou o Colégio Culto à Ciência em Campinas (1883-1884). A seguir mudou-se para o Colégio Kopke em São Paulo (1885), Colégio Morton (1886) e finalmente para o Colégio Menezes Vieira no Rio de Janeiro.


1888 - Vê, pela primeira vez, um balão cativo na capital de São Paulo. em uma exposiçăo de equipamentos aeronáuticos construídos na França.


1889 – Em 31 de março, foi inaugurada a Torre Eiffel, monumento maior da Feira Internacional da Ciência e da Indústria realizada em Paris em comemoração aos 100 anos da Revolução Francesa.


1890 – No dia 15 de fevereiro, foi oficialmente instalado o município de Palmira. A partir daí o sítio de Cabangu deixou de pertencer a Barbacena e passando para Palmira, que hoje é denominado Santos-Dumont. E o pai Henrique Dumont torna-se hemiplégico e vende a fazenda.


1891 – Em 6 de abril faz a primeira viagem a Europa, em companhia de seus pais a bordo do vapor Elbe. Em Portugal, foram visitar três irmãs de Alberto que moravam na cidade do Porto: Maria, Virginia e Gabriela. A casa de Virgínia era situada a beira-mar. Seguiram para Paris/França,onde o pai pretende curar-se da hemiplegia freqüentando as termas de Lamalou-les-Bains. E Alberto deslumbrou-se com as maravilhas tecnológicas, principalmente com os automóveis. Visitou o Pavilhão da Indústria remanescente da Exposição Internacional de Paris e lá ficou encantado com um pequeno motor a explosão. Em novembro, regressou ao Brasil pelo vapor Portugal.


1892 – Em 12 de fevereiro, Santos Dumont, foi emancipado pelo seu pai no Cartório do 3° Tabelião de Notas de São Paulo, que lhe entrega títulos no valor de muitas centenas de contos. “Tenho ainda alguns anos de vida; quero ver como você se conduz: vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz. Vamos ver se você se faz um homem; prefiro que não se faça doutor; em Paris, com o auxílio de nossos primos, você procurará um especialista em física, química, mecânica, eletricidade, etc., estude essas matérias e não se esqueça que o futuro do mundo está na mecânica. Você não precisa pensar em ganhar a vida; eu lhe deixarei o necessário para viver...” - Em maio, faz sua segunda viagem do Brasil com destino à França, acompanhado de seus pais. Porém, Henrique Dumont desembarcou com sua esposa na cidade do Porto, em Portugal, e voltou ao Brasil, devido a seus problemas de saúde. Em 1890 um acidente o deixara hemiplégico. Santos-Dumont continuou viagem para a França. – E no dia 30 de agosto, falece seu pai Henrique Dumont, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.


1892-1897 - A educação científica de Santos-Dumont - se deu principalmente de forma autodidata, sendo, porém auxiliada pela interação com o professor Garcia. Santos-Dumont assistiu aulas como ouvinte em instituições de ensino superior em Paris e em Bristol (Inglaterra).

1898 - Retorno ao Brasil. Ficou encantado com a leitura do livro sobre as aventuras da viagem ao pólo norte em um balão do cientista sueco Andrée. O balão havia sido construído pelos franceses Lachambre e Machuron. No dia 23 de março, realizou pela primeira vez em sua vida uma ascensão aerostática. Subiu em um balão dirigido pelo aeronauta francês Machuron e fabricado pela firma Lachambre & Macuhron, saindo do Parque de Aerostação de Vaugirard em Paris e descendo no terreno de Chateau de La Ferrière, propriedade de Alphonse de Rotschild. Em 30 de maio, realiza uma ascensão aerostática noturna, na qual seu balão foi envolvido por uma tempestade; nesse evento, Santos-Dumont partiu de Pérone e desceu próximo a Namur, na Bélgica. Em 14 de julho, Santos-Dumont subiu em seu primeiro balão-livre esférico individual, o Brasil. Voou várias vezes experimentando o aparelho e logo em seguida construiu o L’Amerique, bem maior e para vários passageiros. Em 18 de setembro, tentou decolar pela primeira vez com seu balão-dirigível nº 1, realizado no Jardim da Aclimação, concordou com os espectadores em decolar a favor do vento e acabou se acidentando. No dia 20 de setembro, vem a experiência bem sucedida com seu balão-dirigível n° 1, partindo do Jardim da Aclimação até Bois de Boulogne, onde foi obrigado a descer no campo de Bagatelle devido ao mau funcionamento da bomba de ar do balonete. E no dia 25 de outubro, Santos-Dumont realizou ascensão em um balão-livre, que durou horas e foi de Paris a Vicarnes, próximo a Chantilly.


1899 – Em 11 de maio, faz a primeira experiência com o seu balão-dirigível n° 2, partiu novamente do Jardim da Aclimação e logo após o início da ascensão o invólucro dobrou-se ao meio. O dirigível chocou-se contra as árvores, danificando-se. No dia de 13 de novembro, realiza a primeira experiência com seu dirigível n° 3 Saiu de Vaugirard e contornou a Torre Eiffel pela primeira vez.


1900 – No dia 22 de março, iniciou, em Paris, a construção do seu balão dirigível n° 4. Em 24 de março, foi criado o Prêmio Deutsch de la Meurthe. O vencedor seria o primeiro aeronauta que, com um balão dirigível, fizesse o percurso Saint Cloud - Torre Eiffel – Saint Cloud (11.000 metros), dentro do prazo de 30 minutos. Valor do prêmio: 100.000 francos. Já no dia 16 de junho, Santos-Dumont, termina a construção de seu hangar em Saint Cloud, no Parque da Aerostação do Aeroclube de França. O hangar media 30 metros de comprimento, 11 de altura e 7 de largura. Assim economizava gás e ganhava tempo. Seu lema de balonista viria a ser: Descer sem sacrificar o gás, subir sem sacrificar o lastro. No dia 1 de agosto, termina a construção do balão dirigível n° 4. O Santos-Dumont n° 4 era um balão dirigível de forma cilindro - cônica, simétrica, com 28,6 m de comprimento, diâmetro na parte cilíndrica de 5,6 m e um volume de 420 m3. Algumas inovações foram incorporadas: motor mais potente de 7 cavalos e 2 cilindros, um selim de bicicleta no lugar do cesto, a hélice dianteira e pedais para acionar o motor. E em 19 de setembro, faz a experiências com seu n° 4, em Saint Cloud. Nessa ocasião, quebrou-se o leme de direção. A experiência foi feita na presença dos membros do Congresso Internacional de Aeronáutica. O astrônomo e inventor americano Samuel Langley, secretário do Smithsonian Institute, estudioso do vôo, entusiasmou-se com os testes. Langley construiu nos Estados Unidos excelentes aeromodelos, mas o seu avião foi um enorme fracasso.


1901 - Em 1 de abril, recebeu o Prêmio Deutsch. Foi-lhe concedida pela Comissão Científica do Aeroclube de França a quantia de 4.000 francos, juros do Prêmio Deutsch, por ter sido o aeronauta que mais se destacou naquele ano. No dia 13 de abril, instituiu o Prêmio Santos-Dumont de 4.000 francos para quem, sem limite de tempo, partisse de Saint Cloud, contornasse a Torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, usando somente os meios de bordo. No dia 12 de julho, decidiu mudar o n° 4 construindo um novo balão com melhores condições de dirigibilidade. E fez experiências com seu dirigível n° 5, com motor mais potente de 4 cilindros e 12 cavalos. E em 13 de julho, na tentativa oficial para ganhar o Prêmio Deutsch, circulou com seu dirigível n° 5, em torno da Torre Eiffel antes de descer entre as árvores do parque da residência do barão Edmond de Rotschild. A vizinha de Rotschild, a princesa Isabel, condessa d’Eu, lhe ofereceu um lunch au champagne entre as árvores. Poucos dias mais tarde, Santos-Dumont recebeu uma medalha para levar no pulso acompanhada de um pequeno bilhete: Eis uma medalha de São Bento, padroeiro contra os acidentes. Aceite-a, e traga-a ao relógio, carteira ou ao pescoço. No dia 1 de agosto, o Aeroclube da França conferiu-lhe uma medalha de ouro. Em 8 de agosto, ao contornar a Torre Eiffel perdeu altura, indo chocar-se com o telhado do Hotel Trocadero. Ficou pendurado na cordoalha, sendo içado pelos bombeiros de Paris. O dirigível n° 5 ficou totalmente inutilizado, tendo ele, no mesmo dia, encomendado a construção do n° 6, aproveitando os restos do n° 5. Escreve em 11 de agosto, carta de agradecimento aos bombeiros de Paris, por lhe terem socorrido quando se chocou com o Hotel Trocadero, publicado, na imprensa local. No dia 30 de agosto, novo balão-dirigível, o n° 6, em 22 dias estava pronto o novo balão, quase igual ao n° 5. Realiza a primeira experiência, no dia 06 de setembro, com o seu balão-dirigível n° 6. Nessa ascensão, Santos-Dumont colidiu com uma casa e seu balão sofreu avarias no invólucro e no leme. Em 7 de setembro, a Comissão de Aerostação do Aeroclube de França tentou introduzir modificações no regulamento do Prêmio Deutsch de la Meurthe para torná-lo mais difícil. Três dias depois, Santos-Dumont escreveu ao Presidente do Aeroclube de França, protestando contra as regras mais difíceis para obtenção do Prêmio Deutsch de La Meurthe. No dia 18 de setembro, tentou novamente vencer o Prêmio Deutsch, descendo no Prado de Longchamps, no Bois de Boulogne, devido a problemas técnicos no seu dirigível n° 6. Finalmente vence o Prêmio Deutsch de la Meurthe, em 19 de outubro de 1901, (menos de dois meses após seu quase fatal acidente com o n° 5!) às 14:42, Santos-Dumont partiu com seu dirigível n° 6, com 33 m de comprimento e 622 m3, para circundar a Torre Eiffel; após 29’30” o n° 6 encontrava-se sobre o ponto de partida. Com esse feito Santos-Dumont provou que o homem podia controlar o seu deslocamento pelos ares. Dia 5 de novembro pediu demissão do Aeroclube de França. E em 8 de novembro, recebeu das mãos do Presidente do Aeroclube de França, o Marquês der Dion, o cheque de 100.000 francos correspondente ao Prêmio de la Meurthe. Nesse dia, Santos-Dumont foi ao banco Crédit Lyonnais e trocou o cheque por 100 cédulas de 1000 francos; foi à Prefeitura de Policia e entregou 50.000 francos para serem distribuídos aos pobres de Paris.


1902 – Em 29 de janeiro, vôos do nº 6 em Monte Carlo. Subiu com o n° 6 em Monte Carlo, onde passou uma temporada a convite do príncipe Dino, que mandou construir no bulevar de La Condanine um aeródromo e hangar para os seus balões. No dia 2 de fevereiro, partiu de Nice para Paris a fim de tratar da construção do seu dirigível n° 7. As más condições atmosféricas lhe impediam de fazer ascensões com seu dirigível n° 6. Aproveitou para realizar obras de melhoria em seu hangar. Já em 14 de abril, o periódico Argus Albany de Nova Iork publicou o encontro de Santos Dumont com Thomas Edson, o inventor da lâmpada elétrica, em seu laboratório em West Orange, N.Y., no dia 13 de abril. Em 16 de abril, Santos-Dumont é recebido na Casa Branca por Theodore Roosevelt, presidente dos EUA. No dia 22 de junho, na Cidade do Porto, falece Dona Francisca Dumont, sua mãe, sendo enterrada no Cemitério Agromonte.


1903 – Balladeuse e o invento de n° 9. A partir de 21 de maio, Santos-Dumont realizou vários vôos no Balladeuse, o menor dirigível até então construído. Pequeno, ágil e fácil de manobrar, foi a sensação de 1903. Tinha capacidade de apenas 261 m3 de gás e 12 m de comprimento, podendo desenvolver a velocidade de 30 km/h com um motor de 3 cavalos. No dia 23 de junho, Santos-Dumont desceu com seu dirigível n° 9 na calçada de sua residência na Av. Champs Elisées para tomar chá. Em 29 de junho, a cubana Aída d’Acosta realizou um vôo solitário no n° 9, indo e retornando no trajeto de Neuilly a Bagatelle. Ela tornou-se a primeira mulher do mundo a voar, aos 19 anos. No dia 14 de setembro, passa em revista às tropas, voou sobre a parada militar em comemoração ao 114° aniversário da Queda da Bastilha. Santos-Dumont parou com seu n° 9 em frente ao palanque das autoridades e saudou o Presidente da República da França com uma salva de 21 tiros dados com seu revolver. Esse fato apresenta-se como o primeiro desfile aéreo em uma parada militar. RETORNO AO BRASIL – Em 7 de setembro, volta ao Rio de Janeiro. Partiu para o Brasil em 20 de agosto com a intenção de rever a família e amigos, de quem estava afastado havia seis anos, e restabelecer a saúde debilitada por trabalhos excessivos. Chegou ao Rio de Janeiro a bordo do vapor Atlantique. Teve recepção calorosa com comemorações intensas, sendo recepcionado como herói. Nesse dia, cumprimentou, no Palácio do Catete, o Presidente da República Rodrigues Alves e à noite assistiu a uma ópera no Teatro Lírico. Em homenagem Eduardo das Neves compôs à Serenata: “A Conquista do Ar” (1902), a consagração popular de Santos-Dumont! Durante o mês de setembro, Santos-Dumont, visita outras cidades, como Campinas e Belo Horizonte passando por Barbacena, Palmira e Juiz de Fora. Também visitou o balão que José do Patrocínio estava construindo em Inhaúma, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em 23 de setembro, despediu-se do Presidente da República, retornando a Paris, pelo vapor Atlantique, chegando em Paris no dia 12 de outubro.


1904 - No dia 3 de abril, foi publicado no L’Officie o decreto nomeando-o como Cavaleiro da Legião de Honra da França. No mesmo ano, publica em Paris o livro Dans l’Air, que em seguida é publicado na Inglaterra sob o título My Airships. A versão brasileira Os Meus Balões só apareceu em outubro de 1938 nas comemorações da Semana da Asa. Neste livro deixou claro seu plano: “Nossa única esperança de navegar no ar […] devemos procurá-la na natureza das coisas, no “mais-pesado-que-o-ar”, na máquina voadora ou aeroplano”. Em 28 de junho, encontrou o invólucro do seu Santos-Dumont n° 7 rasgado. Não se sabe ao certo a origem de tal incidente. Um fato semelhante ocorreu também na Inglaterra impedindo-o igualmente de exibir sua aeronave. Santos-Dumont apresentou a versão de sabotagem. As autoridades acusaram-no de rasgar a sua própria aeronave para não ter de submetê-la a um teste. Retornou a Paris abandonando as corridas.


1906 - Em 18 de julho, inscreveu-se para disputar duas provas no Aeroclube de França: a Taça Ernest Archedeacon, para quem fizesse um vôo de mais de 25 metros em aeronave mais pesada que o ar, e o Prêmio Aeroclube, de 1500 francos, para quem fizesse um vôo de mais de 100 metros.


No dia 19 de julho, apresenta seu 14 Bis. Santos-Dumont, surgiu com um aparelho extravagante com estrutura de caixas com motor de 25 cavalos (depois substituído por um de 50), 12 m de envergadura e 10 m de comprimento. "Lutei, a princípio, com as maiores dificuldades para conseguir a completa obediência do aeroplano. Era o mesmo que arremessar uma flecha com a cauda para a frente. Em meu primeiro vôo, após sessenta metros, perdi a direção e caí... Não mantive mais tempo no ar, não por culpa da máquina, mas exclusivamente minha(...) Continuando na minha idéia de evolução, dependurei o meu aeroplano em meu último balão, o n.º 14; por esta razão, batizaram aquele com o nome de 14-bis. Com esse conjunto híbrido, fiz várias experiências em Bagatelle, habituando-me, dia a dia, com o governo do aeroplano, e só quando me senti senhor das manobras é que me desfiz do balão”. Em 13 de setembro, realiza um vôo de 7 metros de distância com o 14 bis no campo de Bagatelle. Foi notícia na revista francesa La Nature: “O dia 13 de setembro de 1906 será doravante histórico, pois, pela primeira vez, um homem elevou-se no ar por seus próprios meios, Santos-Dumont que, sem abandonar seus trabalhos nos “mais leves que o ar”, fez também importantes estudos sobre o “mais pesado que o ar”; foi ele quem conseguiu “voar” neste dia memorável; diante de um público numeroso... Elevou-se no espaço, sem balão, e esta é uma vitória importante para os partidários do “mais pesado que o ar.”.


No dia 23 de outubro, Santos-Dumont conseguiu realizar o primeiro “vôo mecânico” do mundo,devidamente homologado, alcançando a distância de 60 m, em vôo nivelado a uma altura que variava entre 2 m e 3 m com duração de 7 s. Venceu o prêmio Archedeacon, no valor de 3.000 francos. Ficou oficialmente provado que o ser humano podia voar com um apare lho mais-pesado-que- o-ar, utilizando seus próprios meios. Era um início promissor: “Logo depois, em 23 de outubro, perante a Comissão Científica do Aero Club e de grande multidão, fiz o célebre vôo de 250 metros, que confirmou inteiramente a possibilidade de um homem voar”.

No dia 12 de novembro, conquista o Prêmio Aeroclube de França. Após três tentativas, o 14 bis, realizou o segundo vôo homologado da história da aviação ao percorrer 220 m, a 6 m de altura do solo, em 21 s, a uma velocidade média de 41 km/h. Conquistou, portanto, o outro prêmio, oferecido pelo Aeroclube de França, batendo seu recorde de 23 de outubro. A multidão envolveu o 14 bis e Santos-Dumont saiu carregado em triunfo pelo povo que acorrera ao Campo de Bagatelle. Toda a imprensa mundial noticiou os dois grandes feitos do brasileiro. Este vôo ficou conhecido como “o minuto memorável da história da navegação aérea” A repercussão internacional foi enorme.


O Capitão Armée Française Ferdinand Ferber, logo após o vôo, afirma: "Santos-Dumont avançou para a conquista do ar passo a passo, salto a salto, vôo a vôo".

1907 – Em 4 de abril, ao tentar decolar com o aeroplano 14 bis, acidentou-se no campo de provas de Saint Cyr, tendo a aeronave sido destruída. Entre 15 e 17 de novembro, Santos-Dumont realizou experiências com seu invento de numero 19, que ficou conhecido como Demoiselle. Era um avião totalmente original, extremamente leve e de um design impressionante. Segundo ele, “…nessa época, os aparelhos eram grandes, enormes, com pequenos motores, voavam devagar, uns 60 km/h ou pouco mais. Mandei, então, construir um motor especial de minha invenção, desenhado especialmente para um aeroplano minúsculo. Este motor possuía dois cilindros opostos, o que traz a inconveniência da dificuldade de lubrificação, mas, também, as vantagens consideráveis de um peso pequeno e um perfeito equilíbrio, não ultrapassado por qualquer outro motor. Pesava 40 quilos e desenvolvia 35 cavalos.” Em 21 de novembro, o primeiro modelo do “Santos-Dumont n° 19”, o Demoiselle, sofreu acidente em Buc.


1908 – Entre 23 a 30 de dezembro, realizou-se no Grand Palais, em Paris, uma exposição aeronáutica, na qual estava o Demoiselle de Santos-Dumont. Hoje, o Demoiselle n° 20 encontra-se em exposição permanente no Musée de l’Air et de l’Espace. (site do Museu)


1909 – Em 06 de abril, Santos-Dumont realizou as primeiras experiências com o Demoiselle 20: voou 2000 m. Em 13 de setembro, atingiu a velocidade de 96 km/h em vôo com duração de 5 min. No dia 7 de setembro, uma visita inesperada ao castelo Gallard. Pilotando o novo modelo foi forçado a pousar nos jardins do Chateau d’Aion, do conde Gallard em Wideville, após percorrer 18 km. E em 18 de setembro, de volta ao hangar, transportado no próprio carro, Santos-Dumont levantou vôo novamente. Em Saint Cyr passou rasante sobre a multidão com os braços levantados, demonstrando a perfeita estabilidade da aeronave. Um repórter assim relatou: “Depois de um vôo maravilhoso de destreza e de leveza, voltou sobre nós, e enquanto os aplausos estouravam, afastou os braços, deixando naturalmente as alavancas e os manetes, pegou um lenço em cada mão e os deixou cair sobre nós... depois disso aterrissou, simplesmente, modestamente, como um herói.”


1910 – No dia 12 de novembro, em comemoração à conquista do Prêmio Aeroclube de França, foi inaugurado o monumento em Bagatelle.


1913 – Em 19 de outubro, é inaugurado o monumento sobre a conquista do Prêmio Deutsch O monumento é encimado pela estátua de Ícaro. No monumento, está escrito: “Este monumento foi erigido pelo Aero Clube da França para comemorar as experiências de santos-dumont, pioneiro da locomoção aérea. 19 de outubro de 1901 e 23 de outubro de 1906.”.No dia 24 de outubro, foi promovido ao Grau de Comendador da Legião de Honra da França. Dezembro, parte da França para o Brasil, aonde chegou em 2 de janeiro de 1914, pelo vapor Blucher.

1914 – No dia 4 de agosto, quando a Alemanha declarou guerra à França, Santos Dumont decidiu colocar-se a serviço de seu país adotivo. Mas os militares franceses chegaram até ele primeiro. Os vizinhos o haviam denunciado, pois pensavam que o tímido estrangeiro que observava o mar com um telescópio de fabricação alemã era um espião do kaiser. A polícia revirou sua casa e, após verificar o equívoco, o governo francês fez um pedido formal de desculpas. Mas, Santos Dumont não perdoou a suspeita de ser um traidor. Numa explosão de raiva, jogou todos seus documentos aeronáuticos, os desenhos e as cartas de congratulações no fogo.


1915 – Em outubro, Santos-Dumont voou em um hidroavião Curtiss na fábrica em Long Island, N.Y. No dia 28 de dezembro, Inaugurou-se, em Washington, o Segundo Congresso Científico Pan-americano, no qual Santos-Dumont discorreu sobre o seguinte tema: “Como o aeroplano pode facilitar as relações entre as Américas”. Sua conferência teve grande repercussão. Nessa ocasião o Aeroclube da América convidou-o para representá-lo no Congresso Pan-americano de Aeronáutica no ano seguinte, em Santiago do Chile.


1916 – Em 9 de março, Presidente da Primeira Conferência Pan-americana de Aeronáutica em Santiago do Chile Santos-Dumont foi declarado Presidente de Honra. Participou ativamente das comissões que redigiram os estatutos da Federação Aeronáutica Pan-americana. Partiu de Santiago, dirigindo-se ao Brasil, através território argentino, subindo o Rio Paraná, tendo chegado a Foz do Iguaçu em 24 de abril. No mesmo dia foi a cavalo visitar as cataratas. Por sua sugestão foi criado o parque de Iguaçu. Em 3 de maio, chegou a cavalo em Guarapuava. Três dias depois chegou de trem a Curitiba, passando por Ponta Grossa. Em Curitiba foi alvo de inúmeras homenagens.


1918 – Em 14 de abril, adquiriu o terreno n° 22, na Rua do Encanto, em Petrópolis, onde mandou construir sua residência que recebeu o nome de “A Encantada”. Ali, escreveu o livro O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos. Quando de sua estada em Petrópolis, o governo brasileiro doou-lhe o Sítio de Cabangu, onde nasceu. Dela fez o 1º Museu Aeronáutico, colocando-lhe a placa com os dizeres: "Esta casa, onde nasci, me foi oferecida pelo Congresso Nacional como Prêmio dos meus trabalhos. Santos Dumont, agradecido.”


1922 – Em abril, partiu do Brasil para a França no vapor Lutetia. Ao passar por Fernando de Noronha, trocou telegramas com Sacadura Cabral e Gago Coutinho que se encontravam a bordo do cruzador português República, aguardando o segundo hidroavião para prosseguir o reide para o Brasil.. No dia 14 de maio, realizou sua última ascensão aerostática, em Paris, na companhia do conde de La Vaulx, no balão livre La Cigogne.


1923 – No dia 23 de abril, partiu do Brasil para Portugal, a fim de buscar os restos mortais de sua mãe. Em 11 de agosto, os mesmos foram transladados para o Cemitério São João Batista. E no dia 21 de agosto, por ocasião do centenário da Independência do Brasil, o governo francês fez uma réplica do monumento em Saint Cloud que ficou exposta no Pavilhão Francês. Ao final das comemorações, essa réplica foi ofertada a Santos-Dumont. Nesta data, foi iniciada a construção do túmulo para seus pais, no qual foi colocada a réplica do monumento. E em outubro, fez o translado dos restos mortais de seus pais para o túmulo por ele construído.


1924 – Em 6 de novembro, foi feito Grande Oficial da Ordem de Leopoldo II da Bélgica.


1925 – No dia 20 de julho, os problemas de saúde se agravaram e Santos-Dumont buscou tratamento para “os meus pobres nervos” na Clínica Valmont, em Glion-sur-Montreux, Suiça. Em 15 de dezembro, escreveu: “Doente aqui na Suíça, longe dos amigos, para distração tenho tomado aulas de encadernação”. Estava supostamente sendo vencido pela esclerose múltipla.


1926 - Escreve mensagem ao Embaixador Afrânio Melo Franco, representante do Brasil na Liga das Nações, pedindo a limitação dos armamentos e propondo a interdição do avião como arma de guerra.


1928 – Em novembro, viajou da Europa para o Brasil a bordo do vapor Cap Arcona, chegando ao destino em 3 de dezembro.


1930 – No dia 10 de julho, recebeu a condecoração de Grande Oficial da Legião de Honra da França, grau a que fora promovido em dezembro de 1929, num banquete organizado pelo Aeroclube de França, no Hotel Claridge em Paris. E no dia 28 de outubro, Santos-Dumont internou-se na Casa de Saúde de Préville em Orthez, nos Baixos Pirineus, França. Em 14 de abril, do ano seguinte fez seu primeiro testamento.


1931 – Em 28 de maio, partiu da Europa a bordo do vapor Lutetia, chegando ao Brasil em junho. Não estava bem. Nada de cerimônias ou homenagens. O desembarque foi triste: “Em silêncio hierático, os braços tombados indiferentemente, olhava absorto para o tumultuado ambiente. Alongava o olhar para o mar e para o céu. Enfermo e em silêncio, desembarcou do Lutetia ao largo para fugir às emoções da aclamação popular. As pessoas de sua família, que o rodeavam, pediram-nos encarecidamente que nos abstivéssemos até de cumprimentá-lo. Olhamos Santos-Dumont. Sempre a sua fina sensibilidade. Santos-Dumont chorava... e foi chorando que desceu de braço com seus sobrinhos, a escada de bordo”. No dia 4 de junho, Santos-Dumont foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para ocupar a cadeira n° 38, cujo patrono é Tobias Barreto. A cadeira achava-se vaga após a morte de José Pereira de Graça Aranha.


1932 – Em 14 de julho, redigiu uma mensagem ao governador de São Paulo, Pedro de Toledo, durante a Revolução Constitucionalista, em que reivindica o estabelecimento da ordem constitucional no país (...), como um crente sincero em que os problemas de ordem política e econômica que ora se debatem, somente dentro da lei magna poderão ser resolvidos. No dia 23 de julho, Santos-Dumont, se suicida. Às onze horas, a camareira do Hotel De La Plage, Francília Mucci, desce as escadarias esbaforida e exclama: O doutor do 152 está morto! Coitado do doutor! O Decreto n° 21.668 estabelece luto de três dias. O carro fúnebre (a Prefeitura de Guarujá restaurou, em 2001) transportou o corpo de Santos-Dumont para São Paulo. Lá o corpo do inventor foi embalsamado para que pudesse ser levado em segurança de São Paulo para o funeral no Rio de Janeiro – o que demorou seis meses, até que acabassem os conflitos entre paulistas e as tropas federais. Em 31 de julho, Palmira cidade natal do aviador, passa a se chamar Santos-Dumont, vontade da população em homenagear o seu filho mais ilustre. O jornal da cidade “O sol”, trazia neste dia, em sua manchete a frase: “Palmyra, Berço de Santos Dumont, por vontade unanime de seu povo vai chamar-se Santos Dumont.”


PALMIRA passa a chamar-se SANTOS-DUMONT

Junto o Decreto 10.447 de mesma data, nos seguintes termos:


“O presidente do estado de Minas Gerais, usando de suas atribuições, e considerando que o estado de Minas foi engrandecido por Alberto Santos Dumont, um dos mais ilustres de seus filhos, aquele que rasgou à civilização perspectivas novas; considerando que a irradiação de sua gloria deve alcançar e maneira especial, a terra que lhe foi berço; resolve de acordo com o desejo expresso de sua população mudar para Santos Dumont, o nome da cidade e do município de Palmyra, onde nasceu o grande inventor agora desaparecido”.(Palácio de Presidência em Belo Horizonte. Olegário Maciel – Presidente, e - Gustavo Capanema – Secretario do Interior.)

Em 21 de dezembro, o corpo de Alberto Santos-Dumont foi colocado no túmulo no Cemitério São João Batista, sua pousada definitiva. No instante em que seu corpo era colocado no túmulo, caía um forte temporal.


1936 - A Lei n° 218, de 4 de julho, declara 23 de outubro o dia do aviador, em homenagem ao primeiro vôo da história, realizado nesta data, em 1906. Em 16 de outubro, o primeiro aeroporto do Rio de Janeiro foi batizado com o nome "Santos-Dumont".

1947 - Em 5 de dezembro, pela Lei nº 165, foi-lhe conferido em caráter permanente o posto de tenente-brigadeiro na Força Aérea Brasileira (FAB).


1959 – Em 22 de setembro, a Lei 3636, concedeu a Santos-Dumont o posto honorífico de Marechal-do-Ar. Publicado no DOU 23.9.1959. e Boletim MAer 9/59,p. 857.


1971 - Em 19 de outubro, setenta anos após a conquista do Prêmio Deutsch de La Meurthe, pela Lei n° 5.716, o Marechal-do-Ar Alberto Santos-Dumont foi proclamado “Patrono da Força Aérea Brasileira”.


1973 – Em outubro, ano do centenário de nascimento de Santos-Dumont, o Comitê de Nomenclatura da União Astronômica Internacional, por proposta do Museu Nacional do Ar e do Espaço da Smithsonian Institution, deu o nome de Santos-Dumont a uma das crateras da Lua.


1984 - A Lei 7.243, de 4 de novembro, concedeu postumamente a Santos-Dumont o título de Patrono da Aeronáutica Brasileira.

2006 - Em 26 de julho, Marechal-do-Ar Alberto Santos Dumont teve o seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria, em comemoração ao ano do Centenário do Vôo do 14-bis, realizado em 23 de outubro de 1906.


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